Neste tópico, vamos apresentar os pilares da educação financeira. Aqui, antes de falarmos de algumas técnicas, você precisará compreender como a mente funciona em relação ao dinheiro e quais são os principais conceitos financeiros que devem ser dominados para o sucesso da sua estratégia.
A educação financeira é uma habilidade prática importante para a nossa vida cotidiana. Afinal, ela nos ajuda a evitar dívidas, controlar o orçamento de todo o mês, guardar dinheiro e conquistar objetivos. Sem ela, você acaba “apagando incêndios” de contas atrasadas constantemente, o que dificulta a conquista dos seus sonhos. Além disso, alguns sonhos demandam muito planejamento e controle financeiro, como a aquisição de um imóvel próprio ou a conclusão de um curso superior. Então, se você sabe onde moram as suas grandes conquistas, agora será a hora de correr atrás delas, focar em seus esforços e mostrar do que você é capaz.
Alicerce da educação financeira: mude sua relação com o dinheiro O primeiro passo para o sucesso de qualquer ação de educação financeira é transformar a sua relação com o dinheiro. Devido aos constantes estímulos do marketing e da publicidade na compra de produtos, é comum acreditar que ele só serve ao consumo desenfreado — e não é bem por aí!
É preciso enxergar o seu capital como uma ponte para o alcance de um patrimônio sólido. Isso pode ser conquistado por investimentos e bens que não desvalorizam tanto, como os imóveis. Assim, por mais que os anos passem, seu dinheiro estará sempre valorizado. A seguir, vamos apresentar novas ideias para que você saiba como utilizar o seu dinheiro.
Dinheiro não é só um papel, mas é o fruto do seu trabalho
Ao ver as notas e os números da sua conta bancária você pode esquecer de que eles são resultados das horas investidas no trabalho — eles são a concretização da sua energia. Então, diante de cada compra, questione-se sobre o verdadeiro valor dela. Por exemplo, se você ganha $20,00 por hora, uma jaqueta de $200,00 custa 10 horas da sua vida. Será que vale a pena? Então utilize o seu dinheiro para coisas que façam sentido agora e nos próximos anos. Não pense somente nos desejos imediatos.
Dinheiro é oportunidade
Outro ponto importante é ver cada centavo seu como uma oportunidade para conquistar os seus sonhos. Se 1,00 kz entrar na sua carteira, ele será um pequeno passo adiante. Se você pensa apenas nele como um meio de consumo, jamais será possível se engajar em trabalhar ou poupar mais.
Dinheiro é estabilidade
A menos que você viva em situação de vulnerabilidade social, se você sempre tem problemas financeiros, provavelmente eles estão surgindo por causa da sua falta de planejamento. Afinal, se você analisar os seus gastos, com certeza encontrará despesas que podem ser reduzidas ou cortadas. Quando falamos isso, não estamos nos referindo ao lazer, cultura ou coisas que você gosta. Isso porque, na medida certa, eles são investimentos para manter a sua satisfação. Estamos falando daquela roupa que você comprou sabendo que usaria só uma vez e daquele item dispensável que você comprou por impulso. Todo esse dinheiro poderia ser utilizado para que você não passe sufoco ao pagar os boletos, por exemplo, ou se desespere diante de um imprevisto.
Controle de gastos: entenda suas emoções
Um dos erros mais comuns ao pensar em estratégias de educação financeira é valorizar excessivamente a racionalidade. A maioria dos argumentos ensinados envolvem pensamentos bem-elaborados de comparação das vantagens e desvantagens entre duas opções.
Mas tem horas que a emoção sobe à cabeça e a gente perde parte da nossa racionalidade. Por exemplo, empolgada com a liberação do saque-aniversário, a pessoa pode acabar retirando parte do seu FGTS e gastando de forma impensada, comprando objetos e serviços que não precisa.
Se fosse só uma questão racional, todo mundo iria preferir poupar o dinheiro para dar a entrada em um financiamento de imóvel próprio. Afinal, isso vai fazer você sair do aluguel ou da situação de morar de favor. No entanto, algumas emoções reduzem a nossa racionalidade e nos fazem privilegiar sensações de curto prazo, em vez de focar nas metas de longo prazo.
Então, se essa lógica fosse fácil de ser seguida, muitas pessoas teriam imóveis e poucos bens não duráveis. No entanto, isso não acontece, pois, as emoções têm grande papel na tomada de decisões. Elas dão cor e tom aos pensamentos.
Assim, as sensações moldam as decisões. Se estiver empolgado, vai querer consumir ainda mais. Se estiver endividado, vai desejar estabilidade, fazer um almoço caprichado em casa com os amigos, por exemplo, e guardar o dinheiro na poupança.
Por esse motivo, vamos falar de algumas emoções a seguir e a forma como elas podem influenciar você para que seja possível identificá-las e não se deixar guiar por aquelas que levam ao consumismo.
Planemento financeiro: compreenda a estrutura de um orçamento eficiente
É comum pensar que um bom orçamento é aquele com uma organização impecável, com várias categorias e design diferenciado. Sim, isso é importante. Mas, para manter o hábito do controle financeiro, é preciso ir além do básico. Entenda.
Objetivo
Mais uma vez, precisamos falar de motivação. Os seres humanos não são máquinas de ganhar dinheiro e pagar boletos. Toda pessoa tem ambições positivas, que devem ser alimentadas. A satisfação com a vida vem dessas conquistas. Então, na hora de fazer um planejamento, a primeira coisa que você deve pensar é o que lhe dá vontade de trabalhar mais e juntar dinheiro. Os objetivos devem vir logo no cabeçalho do orçamento.
Desse modo, toda vez que você registrar alguma transação, lembrará do que alimenta tal ambição. Aqui, você deve pensar tanto na sua motivação de curto quanto na de longo prazo, como ao construir um patrimônio. Porém, se você pensa muito no longo prazo e não usa parte do dinheiro com demandas imediatas, rapidamente perderá a energia para trabalhar e poupar. Resultado: quando a conquista dos sonhos parecer difícil, você acabará gastando a reserva financeira em desejos momentâneos.
Então, sempre insira objetivos que dão mais gosto à sua vida, como comer em bons restaurantes, fazer passeios, ir ao cinema etc. Investir neles não comprometerá seus sonhos. Pelo contrário, quando há moderação, eles são uma fonte de energia.
Controle o futuro: crie orçamentos de curto, médio e longo prazo
Um dos maiores problemas das dicas de planejamento financeiro tradicionais é o foco excessivo em metas de curto prazo. Ou seja, as pessoas só são incentivadas a controlar o seu orçamento mensal ou semanal, ao passo que os planos mais longos são deixados de lado.
Consequentemente, qualquer dinheiro fora do previsto acaba sendo visto como um “extra” e tem grandes chances de ser direcionado ao consumo. Quem trabalha de carteira assinada costuma ganhar vários benefícios financeiros ao longo do ano, como bonificações, o décimo terceiro e participação nos lucros, por exemplo.
Se a pessoa focar somente naquele mês, ela vai pagar suas dívidas, poupar a meta estabelecida e, vendo o dinheiro sobrando, vai ficar empolgada e propensa a gastos desnecessários. Por sua vez, se ela tem um planejamento financeiro com objetivos muito claros nos próximos anos, as chances de alcançá-los antes do prazo será uma motivação importante para investir o dinheiro extra. Portanto, uma medida interessante é dividir o planejamento nos seguintes níveis:
- Semanal: que inclui toda a receita disponível para os gastos cotidianos;
- Mensal: organiza a renda para cada semana do mês tendo em vista os prazos de vencimento das dívidas e as necessidades. Aqui, deve-se deixar um espaço para investimentos e fundos de reserva. Como falado, a regra de ouro é nunca comprometer mais que 30% do orçamento mensal para prestações e contas;
- Anual: aqui, você inclui todas as possibilidades de ganhos fora dos rendimentos mensais. O mais importante é vincular esse orçamento aos seus objetivos maiores. Isso dará motivação para poupar em vez de gastar;
- Plurianuais: esse orçamento é feito para ajudar na conquista dos seus sonhos. Por isso, não tem período específico. Por exemplo, se você sonha em sair do aluguel em cinco anos, descubra quanto precisa juntar para pagar a entrada do financiamento. Então, planeje quanto dinheiro deverá ser poupado a mês e a cada ano — qualquer verba extra deve vir para isso.
O objetivo dessas ações não é só organizar o dinheiro, mas também oferecer motivação contínua e fazer com que você não tenha a sensação de que está poupando dinheiro para nada ou que seus sonhos estão distantes. Afinal, como explicamos, as emoções influenciam bastante na tomada de decisões. Então é essencial ter um norte na hora que as tentações do consumo surgirem.
Algumas ferramentas que ajudam na educação financeira
Agora que você já sabe a importância da educação financeira, daremos algumas dicas de como colocar isso em prática utilizando ferramentas eficientes que fazem um excelente controle financeiro. Confira!
Educação emocional
Controlar as suas emoções será essencial para reduzir o seu consumo financeiro. Assim, você precisa aprender a lidar com elas de forma eficiente. O primeiro passo é a autorreflexão e, a seguir, você pode utilizar as seguintes técnicas:
- Identificar gatilhos: quais são as emoções, os pensamentos e as ações que fazem você gastar dinheiro? Quais o motivam a poupar? Elimine todos os gatilhos negativos e busque formas de incluir os positivos no seu dia a dia;
- Focar a respiração: se você perceber que está ficando impulsivo em uma situação de compra, volte sua atenção à respiração, pois isso ajuda a reduzir os níveis de ansiedade;
- Criar roteiros de ações: depois de listar todos os gatilhos de consumo, crie um plano escrito sobre as atitudes que você pode ter para não cair em tentação;
- Procurar distrações: se está muito difícil resistir a uma compra, se distraia com alguma outra coisa. Vale ligar para um amigo ou jogar algum jogo do celular, por exemplo.
A educação financeira para crianças e jovens
Pensar que a educação financeira é exclusividade dos adultos, por estarem no mercado de trabalho, possuírem renda e contas de casa para pagar, é um grande erro. Afinal, quando a pessoa aprende a gerir seu dinheiro com responsabilidade desde cedo, as chances de se tornar um adulto consciente que faz boas escolhas são maiores.
De modo geral, a educação financeira para crianças e jovens vai além da vontade de enriquecer, é uma atitude importante que vai contra o endividamento precoce, fator recorrente nos dias de hoje.
Além de ensiná-los a se organizarem financeiramente, a prática permite o desenvolvimento de comportamentos que podem fazer a diferença no futuro, como autocontrole emocional, disciplina, organização e planejamento, gestão e inteligência financeira.
Vale ressaltar que todas essas vantagens podem ser adquiridas por meio de boas práticas que auxiliam crianças e jovens no processo, como:
- Começar a usar um cofrinho;
- Registrar os gastos;
- Fazer um bom planejamento familiar financeiro;
- Acabar com desperdícios;
- Incentivar a percepção de valores;
- Mostrar a diferença entre querer e precisar;
- Conversar sobre trabalho e remuneração, entre outras ações.
Portanto, a educação financeira na infância possibilita aos jovens maior autonomia em suas escolhas pessoais, sobretudo ao planejar o seu futuro. Como dito, isso ajuda a tomar decisões bem pensadas na fase adulta e a não cometer erros que coloquem em risco a situação financeira.
Em razão disso, é fundamental incentivar o ensino de finanças nas escolas. Isso reduz o endividamento desde cedo, o que pode ser um fator para combater a desigualdade social e contribuir com a evolução comportamental.
Como aprender mais sobre educação financeira
Até aqui você pode estar se perguntando: por onde eu começo e como vou aprender sobre o assunto? Afinal de contas, todo esse discurso sobre a importância da educação financeira realmente cairá por terra se não for colocado em prática. Diante disso, o primeiro passo é entender melhor e aceitar a necessidade da educação financeira, porque, se você não estiver convencido da sua importância, será difícil colocá-la em prática.
Além disso, conhecimento e experiência não acontecem da noite para o dia, muito menos o hábito de economizar e investir. Eles precisam ser vividos no dia a dia, em momentos de crise, até serem aperfeiçoados e incorporados à vida do indivíduo.
Por último, e não menos importante, não se esqueça de realizar o planejamento financeiro. Ou seja, é necessário organizar-se por meio do reconhecimento da atual situação financeira, junto à delimitação dos objetivos onde se quer chegar e o estudo de possíveis trajetos para alcançá-los.